quarta-feira, 9 de setembro de 2020




em tempo de covid, o meu foco pessoal trespassa o vírus que incomoda o mundo e ainda, como que, ironicamente usufruo desta nova condição da humanidade. Posso trabalhar a partir de casa como se trabalhasse no meu local de trabalho, ou trabalho mais ainda pois a tranquilidade de certas horas dá descanso ao corpo para se dedicar ao que for preciso, para além dos intervalos de tempo previstos. Neste mundo à parte, recupero desta e nesta nova condição em que me vejo e descubro todos os dias. O medo é mais que muito, dentro de tudo o que era normal, banal, rotina. O confronto diário entre o o exterior e o interior. Um interior vai desde o periférico ao cerne físico e psicológico daquela que se monitoriza nas sensações que vão e vêm, resultado da intervenção cirúrgica,  e dos pensamentos que se sucedem. A incerteza, que nos cabe a todos revela-se em mim numa consciência que me sufoca. Os meses que passaram já la vão, não faço questão de recuperar a memória do caminho que tem sido, para já está tudo tão vivo em mim que a batalha é o ver, traçar, dar passos em frente, construir outras realidades, criar outros momentos. Esta imagem é o momento do dia em que sinto como que uma pausa, como se olhasse para a frente. Almoço sentada no sofá só para puder ter uma panorâmica mais abrangente deste cenário em que me sinto grata. Grata pelo agora.

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