quarta-feira, 3 de maio de 2017




Não pedi às enfermeiras para ficar mais tempo contigo. Fui ficando. Ao passarem no corredor olhavam para mim e não diziam nada. Fui ficando. O segurança na ronda passou já depois das 21h e quando se abeirou da porta do quarto ouvi as enfermeiras sussurrem-lhe. Fui ficando. Fingi que não percebi a permissão delas. Havia duas perspectivas sobre o teu estado, a delas e a minha. Fui ficando e no limite despedi-me de ti com um até amanhã. E tu respondeste-me, por isso só havia uma certeza, aquela de que a mãe fala verdade e no dia seguinte lá estaríamos à mesma hora para repetir tudo novamente até ao dia de queres regressar a casa por já estares cansada do hospital.
Desde a amanhã seguinte que não percebo este pormenor da vida, este mistério que é ficarmos sem alguém que é tão importante para nós.

6 anos depois as minhas saudades são incansáveis, a falta do teu incansável amor permanece imensa, mas acreditando que estás sempre comigo, todos os amanhãs, vou ficando... bem.




 "Quem perde a mãe, perde-a para sempre e nunca mais pára de a perder. Quem perde a mãe, perde para sempre, e nunca mais pára de perder. "
de Valter Hugo Mãe


2 comentários:

Sandra disse...

Oh minha querida amiga... Esta saudade é uma ferida que nos acompanha. A falta desse amor incansável e incondicional dói de mais. E esta consciência de que é para sempre, gera um buraco fundo e escuro.
Mas é como tu dizes, ela está sempre contigo <3 nos hoje é nos amanhã. As nossas mães olham por nós todos os dias e o que mais querem é ver-nos sorrir. Com sorriso genuíno e tranquilo <3

Ana Fernandes disse...

temos de ir descobrindo esse ponto de equilíbrio, onde a falta fica oculta pelo sentimento que nos liga e que pode manifestar-se em nós por uma força acrescida para a vida, para a viver com uma clareza mais destemida, na busca por aquilo que nos faz bem. beijinho!!