quinta-feira, 30 de junho de 2016



foto de há uns tempos num "ensaio geral" em casa...

Sempre gostei do sabor do café mas nunca tive hábito nem o vício. Houve um tempo que bebi somente “café das velhas” (café da borra de cevada) em casa dos avós. Depois a minha mãe começou a fazer em casa mas nunca sabia tão bem. Acho que era porque não condizia com as canecas de design contemporâneo, com a cafeteira alumínio liso, nem com uma cozinha sem lareira. Cheirava e sabia a antigo. Perdemos as pessoas e com elas o ritual que se tornava doloroso na sua ausência.
Entretanto descobri o impulso de desejar um café. Começou por ser a meias com o meu pai no fim de alguns almoços. Sempre com muito açúcar. Depois com o G. integrando essa lógica do seu mundo. 
Sentir que nem sempre cafeína me deixava o coração a mil, abriu uma janela a esta experiência. Andei ali a espreitar por detrás da cortina e hoje acho que me debrucei-me no parapeito. 
Entrei sozinha numa pastelaria pedi um café cheio e uma bolacha caseira. Levei tudo para uma mesa e sentei-me ali a degustar o momento sem outro açúcar que não fosse o da bolacha. Enquanto isto observei as pessoas que passavam na rua. Dos demais que entraram e saíram da pastelaria, acho que ninguém se apercebeu da minha estreia na postura. Tantos anos a ver os outros sincronizados nesse ritual massivo não terá sido em vão na minha encenação. Não terá sido um primeiro acto isolado mas não cederei facilmente à banalização do gesto.


1 comentário:

Cláudia M disse...

Eu gosto tanto de café, mas comecei a gostar tarde. E essa forma de o beber é como eu mais gosto. O contraste entre o amargo do café, com o doce de uma bolacha ou de uma trufa, ou até mesmo de um bolinho, como o bom-bocado, é tão bom! ;)