domingo, 24 de abril de 2016




 foto do g.


foto do g.


Moveu-nos o sol, este que aquece o inverno que ainda trazemos na pele. Franzimos os olhos na mesma razão da sua intensidade e oferecemos-lhe as duas faces. Um calor que vem de fora e um calor que vem de dentro, do que geramos pelo corpo em marcha num trilho de declives vários. Subimos e descemos  e perdemo-nos por ali até chegar ao ponto onde deveríamos somente descer. Do mar vinha uma brisa que acalentava o espirito nesta conquista pelo nosso (mais meu) desconhecido mapa nas arribas da costa sesimbrense. Fomos descendo por entre a diversidade botânica que nos passa diante dos olhos. E da objectiva quando somos mais curiosos. Fomos até onde nos apeteceu e não regressamos sem nos sentarmos para descansar um pouco. Dei por mim na fila do meio da sala de cinema da falécia a 110o de um mergulho no mar. A tela de um azul ondulado onde flutuei no desejo de um barco que nos resgatasse da arriba, mas o fim seria continuar a caminhar até ao topo. Voltamos a dar uma vista de olhos sobre a Praia da Mijona e mais à frente, já com a fome a apertar voltamos a perder altitude para espreitar a Praia do Temporal enquanto o sol se punha. Vi-o desaparecer lentamente, como se tivesse saudades de me fazer feliz e quisesse ficar mais um pouco. Deixo-o ir, nesta certeza boa que regressa.  É um regresso feito desta tranquilidade, deste eterno retorno que tem sido a doce conjugação dos verbos na primeira pessoa do plural.
 foto do g.


quinta-feira, 21 de abril de 2016



desde o momento em que alguém decidiu que íamos organizar uma "passagem de modelos" para juntar dinheiro para a viagem de finalistas do 12º ano, que eu só tinha uma preocupação. Num dos primeiros ensaios e reconhecimento da sala abeirei-me da cabine de som e dos dois colegas de turma que iam ficar responsáveis por essa componente do espectáculo e perguntei: "e a musica já escolheram?" descontraidamente responderam que ainda não o tinham feito e eu aproveitei a deixa para lançar a minha sugestão: "Uma que podiam escolher, é o Purple Rain do Prince". Não reagiram nem a favor nem contra.

quase 2 décadas depois, um dos colegas é DJ e o outro, um apresentador e locutor de rádio conhecido. E eu lá desfilei (contra vontade) ao som de uma playlist onde estava esta canção.


domingo, 17 de abril de 2016



"Kers vr andr d bseclet po clej?"  
Eu queria mas tb queria continuar a dormir. Tinha acabado de virar a cabeça para o outro lado.  Aquele lado onde encontramos mais sono. Levantei-me, vesti-me e fui ter com o meu pai onde já me esperava com a mesa posta para o pequeno almoço. Depois daquele reforço energético há mais razões para nos esforçarmos. O percurso são voltas repetidas num circuito fechado. A monotonia das voltas é preenchida com a tranquilidade do espaço, a possibilidade de pedalarmos lado a lado e conversarmos usufruindo deste momento de lazer em que nos revemos nas primeiras vezes que o fizemos, (há pouco menos de 10 anos). Da primeira vez que demos a volta pela ruralidade eu segui naquela que é agora a bicicleta do meu pai e ele na pasteleira que herdou do pai. A pasteleira do meu avô Manel é gira mas muito exigente de força nas subidas. O gosto por andar de bicicleta cresceu o suficiente para ultrapassar alguns receios e seguir sozinha quando me apetece. vou sempre com muita vontade e com também com muita cautela que a destreza não cresceu tanto como a satisfação que me dá. Mas esta manhã foi tranquila sobretudo nesta partilha de um tempo que vejo como privilegiado entre pai e filha.

grata


sábado, 16 de abril de 2016



Sábado de manhã-à-tarde-e-à-noite




fotos retiradas daqui


Não pensava em fazer melhor tempo que no ano passado, nem me apetecia correr sozinha. Ano sim, ano não, ano sim, e ao quarto ano, não. Não sei se é para seguir alguma lógica mas este ano não me inscrevi na Scalabis Night Race IV. Eu não quis, mas muitos houveram que já não foram a tempo de integrar o corpo amarelo fluorescente que percorreu mais uma vez a cidade de Santarém. Não me inscrevi pois já contava em integrar o grupo de voluntários. Fui chamada para um horário que eu própria escolhi de acordo com a minha disponibilidade e vontade de fazer parte de duas equipas. Estar novamente na distribuição de dorsais onde as condições melhoraram a favor de todos até dos próprios voluntários. Daquela dinâmica de receber bem os atletas entregando o kit de participação passei para o percurso onde não tardariam a passar para mais uma vez saudá-los com pregões do mais rico e belo sob o lema da corrida “Correr, comer e beber”. A vergonha dos disparates é superada pela energia que sei que dá uma forcinha numa altura em que já começam a faltar as forças a alguns. Estando num ponto onde apanhava uns para cá e outros para lá, dancei um discreto vira e não me poupei em dizer palermices que julguei divertidas para que nos aguentássemos todos à bronca. A certa altura as minhas mãos já batiam sozinhas. A diversão aumentava quando de quantos em quantos que passavam havia quem me felicitasse pela prestação com sorrisos, palmas e respostas. Haja boa disposição. Ficamos todos contagiados, a eles dá-lhes para mais uns metros e a mim vale pela experiencia de me expor a esta abordagem mais interactiva. Não vem na classificação geral mas tenho a certeza que bati o meu rp (recorde pessoal). E o senhor Policia que estava por perto também deve ter batido o dele em paciência a escutar-me. Ainda assim no fim despediu-se de mim com um “até para ano”.
Depois do último e da última forcinha, segui mais a S. para o jardim da Liberdade. Pelo caminho parámos a ver o fogo-de-artifício, sempre bonito nessa magia que traz aquele colorido ao céu e à festa. Juntámo-nos depois aos restantes, assistimos aos pódios, mexi-me ligeiramente ao som da música, brindei e regressei a casa feliz e cansada.  Diverti-me bastante. Se calhar para uma voluntária nem me fica bem afirmá-lo e deterioramento de um “trabalhei” bastante. Houve quem trabalhasse muito mais, resta-me o que resta a quem fez menos, parabenizar e esperar que para o ano corra tão bem ou melhor!!


“Até para o ano Sr. Polícia”


sexta-feira, 1 de abril de 2016



"... tive a ver (uma coisa)... e acho que é a tua cara... pelo menos o resultado final, é a minha cara."...