sexta-feira, 25 de dezembro de 2015



Natal 2016

com a companhia dos meus padrinhos, a família que escolheram para mim. A fazer mais sentido nos últimos anos, a fazer-me sentir mais agradecida desta feliz escolha.


domingo, 20 de dezembro de 2015



É uma relação que cresce aos poucos, num tempo lento de namoro mas que fez aquela diferença à primeira vista. Descreveria assim, entre outras coisas, a minha relação com a Lousã. Nos primórdios da minha adolescência passava horas a imaginar que vivia numa casa de pedra dessas aldeias desertas por entre as serras. Vinte anos depois (per)corri-a pela primeira vez e senti-me em perfeita sintonia com a envolvente e encantada pelas casas de xisto. Um ano depois (per)corri uma segunda vez e prometi regressar no próximo ano. Sem saber da minha promessa, num vamos-ali-e-já-voltamos o G. levou-me lá a terceira e quarta vez este mês. Depois do Casal de S. Simão, vi a Serra da Lousã na aproximação ao primeiro destino. As ruínas de uma central elétrica por onde nos aventuramos em registos e enquadramentos. Eu, novata nestas incursões pelo meu próprio pé, deixo que o meu fascínio pela história dos abandonados me guie na atenção aos pormenores que outrora eram o pão nosso de outras vidas. O meu olhar romântico varia na mesma razão desse tempo que passou e repetidamente na mesma razão desta nossa partilha de tempo e espaço. Os nossos passos nesta exploração são a valsa que dançamos no salão do nosso imaginário, ou pelo menos é assim que eu vejo o nosso tranquilo rodopio pela maquinaria desmantelada, pelas escadas que nos levam ao patamar de cima, pelas alavancas que hoje accionam apenas a nossa curiosidade e pelos grandes carretos que me transportam aos “Tempos Modernos” de Chaplin. Dou à manivela gigante nesse espanto que a ferrugem, tão presente por todo o lado, ainda não a parou no tempo. A valsa teve como acompanhamento a água que passa no rio ali ao lado e por baixo da própria central. Hoje, a força da sua passagem gera somente em nós aquela energia tranquila que nos trás o seu escutar.


foto do G.


Das margens do rio Ceira no Casal Ermio avançamos com a noite para junto do Castelo Arouce apreciando de longe o recorte iluminado das Ermidas da Sra. da Piedade e de perto as escadas que nos permitem subi-las. A noite esconde de mim, com uma mão, a beleza do verde envolvente e a magnitude do espaço e dá, com a outra mão, essa mística que encerra no escuro os caminhos que nos podiam levar às aldeias mais próximas, por entre a flora e a fauna “adormecida” e ainda mais abafada pela ribeira de S. João. Estando escuro mas não sendo tarde, subimos até ao Talasnal. Fomos de carro para que a mística da noite e a descida da temperatura sejam a combinação perfeita da travessia da serra com as vistas para o ponteado de iluminação, desde a civilizada Lousã até à aldeia que ansiamos reencontrar. Caminhamos nas ruas, estreitas e amarelecidas pela luz dos candeeiros, encurtadas pela noite que circunscreve a periferia e detemos-nos na frente da Ti Lena o tempo suficiente para perceber que ainda chegamos a tempo de um petisco e da simpatia de quem nos recebe.

Com a despedida vem a decisão de continuar a subir. Passamos perto do ponto mais alto, não sem antes nos depararmos com um veado que deve ter ficado tão surpreendido como nós com aquele encontro.

foto do G.


São estas, entre outras historias que vou guardando deste namoro, com esta serra, que me surpreende pelos mimos que me dá, nesta crescente admiração por aquilo que é natural em si e por aquilo que é fruto do empenho... das suas gentes em estimar este património... partilhando-o comigo.


domingo, 13 de dezembro de 2015




Garanto que tentei analisar a minha imparcialidade nesta paixão pelo verde e declaro-me suspeita.
Gosto do verde vinho à mesa, do verde água para ir a banhos, do verde seco para vestir e gosto mesmo muito dos verdes clorofila na paisagem...

foto do G.
Penedo Furado




mais um anuncio de perfumes a trazer-me uma voz que me soa muito bem...


terça-feira, 8 de dezembro de 2015



Não quer que lhe agradeça, talvez porque ainda não percebeu  que o meu sentimento de gratidão não se encerra nele, mas trespassa-o. Verbalizar o obrigada que sinto, liberta-me e liberta para universo um sentimento bom que não se quer contido. Reconheço a comodidade que é não ter que escolher o destino. Há lugar para sugestões, no intervalo das suas certezas e a minha rendição não será fruto do acaso, pois parece-me ser premeditada com base na partilha de uma palavra em comum: trilho. 

Como sempre, vou preparada para os pormenores do caminho. E os pormenores aumentaram à medida que avançamos no desnível do relevo, assim em jeito de paredes verdes que se erguem à nossa volta. Será por isto que nos sentimos em casa? 
Numa primeira paragem (Capela de S. Simão) a curiosidade levou-nos a circunscrevê-la rumo um topo com vista para uma paisagem soberba sobre o nosso destino. Aquela rocha podia ser a chaise longue ideal desta manhã serena de inverno, onde nuvens e sol acordaram numa coexistência perfeita. Perfeita até para os registos fotográficos de duas novas lentes. Uma da máquina, que necessita de atenção para se ajustar e a outra, a da minha alma, que teve mais tempo para dar atenção ao caminho, neste modo livre de fitas sinalizadoras e metas cronometradas.

a  minha preocupação era a chegar a tempo…          
… de ver…
foto do G.
Num pico de atracção pelo imenso, quis saber se não dava para descer logo por ali, ignorando a existência de um qualquer percurso. Era imensa a natureza. Lá de cima a copa das árvores são como um embrulho de Natal e a minha prenda era o que estava para lá delas. O ribeiro talvez seja essa fita que guardamos das prendas que nos são mais especiais. Ele não fez caso da minha pergunta e seguimos de carro até ao Casal de S. Simão. Chegados à aldeia fiquei sob o efeito hipnotizante do quartzito que embeleza cada passo que damos. Até eu me senti mais bonita naquele cenário. Dividimo-nos na atenção aos pormenores desta aldeia de bonecas, atravessando-a  num misto de olha-a-aqui e vá-temos-de-seguir. Foi nesta dualidade que passamos das varandas e quintais, de uma única rua para O trilho. Seguimos pelo singletrack contínuo de sucessivos enquadramentos de uma beleza natural acrescida pelos retoques da estação húmida. O outono deixou mantos de folhas que nos permitam identificar as árvores circundantes. Ora um manto de folhas de carvalho, ora de sobreiros, ora de castanheiros, sempre nos seus tons compreendidos entre o amarelo e o laranja aquecendo a alma de quem passa. Seguimos nesse silêncio traduzido pela linguagem da fauna e flora envolventes, devidamente acompanhadas pela passagem da água no leito da Ribeira de Alge. 

a  minha preocupação era a chegar a tempo…           
 de ver…
foto do G.
Quisemos ver e registar e houve tanto por onde dispersarmos a atenção e a objectiva, aqui, ali e a nós para perpetuar essa oportunidade. Estava um dia tão bom que até senti calor. Tirei cachecol, tirei casaco e não tardei a lamentar não ter coragem para as botas e molhar os pés na ribeira. Estava um pouco impaciente com o horário de inverno e resistia à tentação de querer correr contra o tempo, sobretudo pelo receio da noite se antecipar e me impedir de apreciar os contrastes e paisagens que me esperavam adiante. Mas ele é calma e certeza de que não nos faltava nada, nem lanterna (para o caso de faltar o tal tempo). Continuei distraída a contemplar o trilho e as suas particularidades. Delas fazem parte inúmeros detalhes, desde a folhagem iluminada de gotículas de orvalho, trazendo a nós uma constante frescura que sabia bem inspirar. Os tons e a forma dos musgos, dos líquens e das trepadeiras que remetiam para as histórias da floresta encantada, daquela que esconde segredos e criaturas que zelam pela sua magia. E eu segui enfeitiçada pela palavra proximidade, a esta natureza enraizada no solo e à nossa que vamos enraizando. No trilho encontramos também duas cabras estrategicamente colocadas a pastar de forma a desmistificar o meu receio de levar um-chega-para-lá. Não sei se eram meigas que não fui em festas mas eram muito bonitas. Não tardaríamos a passar para a outra margem e e fazer o caminho de regresso. Mais próximos do leito continuámos a ser avassalados de vistas lindas. Os fetos matizados da cor do fogo,  ardiam na margem da ribeira cenários que as repetidas imagens até me deixaram inebriada. 

a  minha preocupação era a chegar a tempo…          
…de ver…
foto do G.
Começamos ao contrário, e ainda bem que assim decidiu, ficando para o final a praia fluvial das Fragas de S. Simão. Depois da travessia de duas pontes, saltitando de uma margem para outra (quem saltitou fui eu que isso não é coisa de homem!) chegámos a essa cascata principal no meio das escarpas. Aproximámo-nos o máximo que o tempo nos permitiu e ficámos por ali a escutar a força das águas por entre as rochas adocicadas desse tom azulado provocado por um sol recolhido para lá do vale. Divaguei em pensamentos sobre potenciais mergulhos de verão e em como não trocaria um desses mergulhos pela presente vista de inverno no aconchego do casaco que entretanto voltei a vestir. Seguiu-se a grande subida de regresso à aldeia, onde finalmente nos caíu a noite. Entretanto o quartzito ganhou outra beleza que não quisemos deixar de registar e ainda tive tempo para dois dedos de conversa com o pastor que aguardava paciente o regresso de uma meia dúzia de cabras ao curral.

Saí dali com a certeza de que chegámos a tempo... de ver tudo... talvez não tudo-tudo*, mas tanta coisa de me deixar com alma cheia, dessa plenitude que não se quer contida, e por isso liberto-a fazendo-a passar por ti neste meu…
...Obrigada


*este tudo não será pouco sabendo que fizemos uma média de um quilometro por hora...


sábado, 5 de dezembro de 2015



Sábado de manhã...
Acordar para arrumar, sobretudo destralhar. Agora, que se aproxima o final do ano e nos restantes dias porque é preciso criar espaço para as coisas novas. No meio da confusão o once-upon-time-angel apareceu para um chá combinado há três anos. A meio da conversa informal, concluiu: "é que tu és como eu... tens aquela forma de estar..
... contemplativa..."


quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

segunda-feira, 23 de novembro de 2015


se a morena não corre quando a chama para ele, agora corre ele... mas não sei se para ela...
que seja, se nela estiver a sua fúria...
... e a sua paz.





está aberta a época da lareira...


domingo, 15 de novembro de 2015



foi serena a minha saída do verão. mimada de ternos raios de sol. prolongou-se no espanto que nos trazem as coisas bonitas. e coisas bonitas existem no verão e no inverno. e existem aqui.


sábado, 14 de novembro de 2015

domingo, 8 de novembro de 2015




Não questionar o destino, diz desta forma de seguir confiante na viagem e na companhia, acreditando à partida que são as melhores que posso agradecer. O caminho já era paisagem para apreciar e o sol o anfitrião desta fuga. O sol de inverno é inspirador pela forma como nos mima e afaga a pele com o seu calor. Faz-me entrar inconsciente naquele ciclo de sentir vontade de fechar os olhos para o apreciar em mim e abri-los para ver como ilumina o meu redor.
Lá fomos por partes, seguindo-se a minha sequência favorita. Aquela em que trocamos as rodas pelos nossos passos, para depois trocarmos o alcatrão pela terra batida e finalmente trocarmos esta ultima, pelo trilho. Acrescento que esta sequência foi quase sempre a subir, não para dar ideia da dificuldade, mas para não esquecer as vezes em que me virei para trás e vi a paisagem a crescer para terra e para o mar. Mergulhei com a vegetação à altura da cintura, com uma visão privilegiada da envolvente. Olha aqui, olha ali… e este cheirinho que nunca posso levar para casa… grava grava… não esquece. Pensamentos suficientemente curtos para não me dispersar do essencial e dar espaço a outros que se prendem com o meu olhar para dentro. Continuava sem fazer a menor ideia do que me esperava e o quer que fosse não podia esperar muito, pois apesar do sol fazer lembrar o verão, a hora é de inverno. Andei de baloiço, ri e caí. Apressamo-nos a descer, tirando aqui e ali os olhos do trilho empedrado para olhar lá mais para baixo e eternizar a paisagem em pixéis. Continuei Olha aqui, olha ali… e este cheirinho que nunca posso levar para casa… grava grava… não esquece. Não esquece este mar azul turquesa….Mar?!... Azul turquesa?! Mas como é que eu vim aqui parar?! É isto que me espera?!
A temperatura amena permitia-nos conspirar sobre a eventualidade de ir a banhos mas cruzarmo-nos com quem já estava de subida fazia-nos duvidar de tamanha loucura em pleno Novembro. Finalmente chegar lá a baixo e fazer uma última troca. Trocar o trilho pelo areal.
Diz que a falésia tem a forma de um pescoço de cavalo mas eu diria que podia assemelhar-se a uma orelha, onde se encerram segredos vários. O céu límpido deixou-me vislumbrar na forma de uma rocha um barco ancorado à costa e mais à frente descobri noutra o perfil de um rosto. Se este rosto sussurrasse frases bonitas à praia, certamente lhe diria que é linda. Assim como foi lindo o gesto de me levar ali àquele cantinho do mundo. Pude observar o rebentamento das pequenas ondas que avançavam para terra e com o meu lenço esvoaçante senti-me como o principezinho a ver divertido os vários pores-do-sol do seu planeta. Da rosa que trago sempre comigo, os espinhos não são se não aquilo que me desperta para a importância de aproveitar a vida.
E de repente os segredos a ser confessados podiam ser só os nossos, pois não tardamos a ficar sós por entre os tons pastel de um fim de tarde. Estava na hora de regressar e foi já nos escuro que nos guiamos pela claridade do trilho e pelo instinto da minha desorientação para chegar novamente ao topo. Invertida a sequência rolamos depois até à marginal de Sesimbra onde passeamos mais um pouco e onde quase fui engolida por baleia. Não me salvou nenhum príncipe desta Moby Dick urbana mas regressei a casa com a sensação que me resgatou antes para um destino onde sabia que tudo o que eu precisava era de ser feliz.


e sou.


sábado, 7 de novembro de 2015




con·fi·ar
1. Entregar (alguma coisaa alguém sem receio de a perder ou de sofrer dano.
2. Revelar.
3. Ter confiança.
4. Ter ter esperança.
5. Acreditar.
6. Entregar-se cheio de confiança.

o corpo balançou muito mais quando fechei os olhos. a professora dizia "confiem, confiem"... e depois de cada um ter tempo para confiar, ela acrescentou...
"estão a ver, é como na vida quanto mais confiarem menos balançam".


domingo, 1 de novembro de 2015




Há algum tempo que deixei de fugir para me esconder dentro da concha. Fujo até ela mas para reflectir primeiro se entro ou se lhe dou um abanão antes de voltar a entrar. Há abanões que escolhi e nos quais reconheço mais facilmente o bem que me fizeram.  Noutros reconheço os tortuosos caminhos para o melhor de mim. Em todos descubro que há sempre um novo ponto de equilíbrio nesta vontade de ser feliz.


sábado, 31 de outubro de 2015



há doce coincidências!




sábado de manhã...

Acordar para a vontade de correr. Receio que as pernas não me levassem onde queria ir coração. Sentir-me bem. Parar na avó para o abastecimento de 2 bolachas com doce. Sentir-bem. Campos de maré verde a refrescarem as incertezas da vida. Esquecer-me das subidas, antes e durante. Sentir-me bem, durante, sentir-me melhor, depois.


sábado, 24 de outubro de 2015



sábado de manhã...



A principio é simples, anda-se sózinho
Passa-se nas ruas bem devagarinho
Está-se bem no silêncio e no borborinho
Bebe-se as certezas num copo de vinho
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo
Dá-se a volta ao medo, dá-se a volta ao mundo
Diz-se do passado, que está moribundo
Bebe-se o alento num copo sem fundo
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

E é então que amigos nos oferecem leito
Entra-se cansado e sai-se refeito
Luta-se por tudo o que se leva a peito
Bebe-se, come-se e alguém nos diz: bom proveito
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Depois vêm cansaços e o corpo fraqueja
Olha-se para dentro e já pouco sobeja
Pede-se o descanso, por curto que seja
Apagam-se dúvidas num mar de cerveja
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Enfim duma escolha faz-se um desafio
Enfrenta-se a vida de fio a pavio
Navega-se sem mar, sem vela ou navio
Bebe-se a coragem até dum copo vazio
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

E entretanto o tempo fez cinza da brasa
E outra maré cheia virá da maré vaza
Nasce um novo dia e no braço outra asa
Brinda-se aos amores com o vinho da casa
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida.

O primeiro dia de Sérgio Godinho


quarta-feira, 21 de outubro de 2015



imagem daqui

Do balanço dos dias de verão…
desses dias que somaram quase dois meses e meio, alucinantes e parte integrante de uma outra experiencia profissional. Caíu-me em mãos o que aparentemente desejara. Propus-me descobrir dificuldades que desconhecia. Não virei as costas na possibilidade de optar pela zona de conforto. Foi a alma que ditou a escolha de uma conquista que não gera “vivas” de vitória diante de outros, mas gerou um desbravar de caminho cá dentro sem tempo para contemplações ou hesitações. Exigiu-me arte na capacidade de não me deixar afectar. Que é preciso arte para não ficar presa a ontem. A ontem ou a uns segundos antes em que o acto de respirar fundo pode ser o primeiro e único exercício de contenção, em pensamentos e palavras. 
A ambição combinada com ganância é sempre coisa para me deixar exausta ao primeiro confronto. Foram infindáveis os embates e levei tempo a perceber que a minha lição era ficar quieta. Assistir. Não por passividade, mas porque tudo se ajusta à posteriori e porque há lutas que não me dizem respeito. Eu e esta tentação de me expor à tormenta. Aproveitei para descansar e aprender perante a calma de outros e que por isso me surpreenderam. Desconstruí e reconstruí a minha perspetiva sobre as pessoas várias vezes ao dia.
As únicas férias foram as que tirei de mim.Ter umas horas para mim, um dia por semana e no qual me custava muito a acordar. Nesses dias ainda olhei o sol com aquele encanto do verão, sem o peso do calor e do pó que apanhei, e que ainda tinha por apanhar. Um dia dei por mim a contemplar o por do sol que 24 horas depois me eram sempre traumáticos ao perceber que ainda era demasiado cedo para o regresso a casa. A ansiedade serenava na penumbra da noite naquela grande recta que me poupava atenção à estrada. Quase todos os dias esbocei um sorriso antes de me deitar, sendo que a manhã desse mesmo dia parecia ter sido há muitos dias atrás. 
Provavelmente chorei 5 minutos na soma dos dias. Fartei-me das pessoas, que nem para os amigos me apetecia rir e conversar na ínfima possibilidade de o fazer. O silêncio foi o meu melhor amigo, reconciliador de toda a verborreia que me rodeava. 
Agora que retomei o meu tempo, ainda não repensei tudo.
Tudo a seu tempo que há outras coisas a viver, umas entre outras onde já só procuro escolher o que me suaviza. E depois da tormenta por um lado, sigo pelo que me suaviza por outro e mantenho um equilíbrio e que me permite sorrir de tudo e sobretudo, sentir esta gratidão diante da vida, diante de um invisível em que me reconheço. 


sábado, 10 de outubro de 2015



sábado de manhã...



sumo de pêra e memórias
um caça-sonhos gigante, que podemos ver no centro cultural do cartaxo e no qual podemos prender a nossa mensagem


quinta-feira, 8 de outubro de 2015







fui ouvinte do gato leitor, a historia do elefante acorrentado, pode dar-nos muito em que pensar nesta fase da vida. além do mais, não é todos os dias que podemos comer línguas de gato e beber chá de erva príncipe na floresta mágica na companhia de gnomos e duendes...