sexta-feira, 19 de dezembro de 2014




Enquanto me equipava fazia uma autoanalise para tentar traçar o perfil desta "eu" que se vestia em frente ao aquecimento para depois sair pela noite fria para um assalto às encostas de Santarém. Três camisolas...check, as calças reforçadas... check, um par de luvas... check, buff...check e the last but not least o frontal/lanterna...check. Depois dos cumprimentos da praxe, do aquecimento e de indicações gerais foi dada a partida e começamos logo ali a descer a primeira encosta e a dispersar do colectivo que abraçara a mesma aventura. Segui na companhia de 6 amigos com quem contava atravessar a meta (SV LC SA SF e LF). Confesso que trail nocturno não é coisa que me atraía, pois se o que eu gosto é mesmo de apreciar a paisagem o escuro da noite atrapalha um tudo-nada. Não deixando de ver a beleza quando vislumbrei no horizonte a iluminação ponteada das localidades circundantes, bem como as muralhas da nossa própria cidade e a ponte sobre o Tejo, vista de uma perspectiva de um conjunto de emoções que nos atravessam enquanto corremos um dos socalcos de cimento da colina que nos levaria a uma escada de ferro embutida na parede. Arriscamos subir por essa escada em deterioramento de uns metros de trilho alternativo que pouca emoção nos imprimiriam no estado de alma. Ainda não refeitas as pernas tremulas das escadas e já uma corda nos esperava para treparmos por ali acima. Num exercício de coordenação e força de braços e pernas e vários ai-jesus-se-isto-se-parte lá fomos sorrindo nervosamente até continuarmos sem mais ajudas, apenas com a força de vontade que nos leva a divertir com estas situações. Entre conversas várias, risos e certificarmo-nos que não estava a ficar ninguém para trás conquistamos a cidade entrando pelas portas principais, as Portas de Sol, que estavam abertas em forma de boas vindas a todos os que vieram por bem. Muralhas circunscritas sob as ordens de uns soldados dos tempos modernos que nos escoltaram boa parte do restante caminho (F, AC, MS). Descer novamente pelo caminho de Santiago, enquanto combinávamos um dias destes nos fazermos à estrada até à Galiza e quem sabe mesmo a partir dali. A LC, não foi de modas e para evitar as escorregadelas foi saltitando descalça por entre as pedras húmidas. Cada um com a sua técnica. Seguiu-se uma subida por caminhos pavimentados, alguns dos quais nunca tinha feito a pé e já novamente em alta para o topo foi só galgar mais de 100 degraus. Dali fomos para a Escola Prática de Cavalaria atravessando para lá de tudo o que nos era já conhecido, entramos pela mata do campo de treinos há muito desactivada, transportando-nos numa nostalgia para memórias que não temos mas que ainda transpiram por ali. Voltamos a descer para mais adiante recomeçarmos novamente num sobe e desce e sobe e desce que nos levaria ao local de partida. Entretanto dos 6 iniciais chegamos 3. As baixas foram por dores, mal-estar e companheirismo mas no final para o convivio lá nos reencontramos todos/as com os demais amigos. Deste assalto resultou um valente roubo de 2h30 à minha vida em riso e boa disposição, pelos trilhos das encostas de Santarém, que não tem preço!!


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