segunda-feira, 21 de julho de 2014



"Costumavam dizer, Caiu, quando na verdade me tinha deixado cair de propósito, para puder largar as muletas e ficar com as mãos livres para tratar convenientemente de mim. (...) O mais simples é largar as muletas e deixar-se cair. Era o que eu fazia. Portanto eles tinham razão ao dizerem que eu tinha caído, não se enganavam muito. Por vezes também caí sem querer, mas não foram muitas, não foram muitas, uma raposa velha como eu, imaginem só, não cai muitas vezes sem querer, deixa-se cair a tempo." 
in "O Inominável" de Samuel Beckett


sobre aquela lucidez extra que às vezes é melhor providenciar...


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