sábado, 10 de março de 2007



O vento, passou como dedos entre os fios do meu cabelo. Adormeci embalada pela vida que corria no rés-do-chão da minha rua. Solas que batem a caminho de um destino que nunca chega. Pés que obedecem a estímulos motores da mecânica do dia-a-dia. Por ali tudo passa, por vezes, descaídos para tombar noutro lugar. Vozes que se estendem ao virar da esquina, deixando para trás frases soltas. Palavras que o vento não leva porque me está afagar o cabelo. Sorrisos que me descontraem a expressão de serenidade. Sorrio também. Um sorriso solidário que me franze a testa na duvida do motivo. Que importa, viro a outra face e adormeço de novo.

sexta-feira, 9 de março de 2007




Um dia aproximei-me da terra. Vi o céu da sua prespectiva. Ajoelhei-me e enterrei os meus dedos no solo. Senti como pulsa seu coração enquanto se acompanham dia e noite, dia e noite... Cavei um pequeno buraco e imaginando tratar-se do seu ouvido, contei-lhe um segredo... tapei-o... e a partir daí... ficámos cúmplices.

quinta-feira, 8 de março de 2007




Procuro vida entre dedos acorrentados. No tacto vago, encontro almas entrelaçadas na liberdade que sentem de se prenderem num nó cego.Meus braços estendidos; não sei que esperam, se esperam, se chamam por esse volátil desejo que procuro agarrar. Aguardo a cada instante encontrá-lo vivo, forte e sem forçar permaneço presa até quando me libertar.

terça-feira, 6 de março de 2007



Cavei no seu ventre a minha primeira caverna.
Saí, trazendo dentro de mim esse lugar.
Um lugar que cedo ocupei.
Adopto sonhos de preenchê-lo,
crescendo mas não se vê,
a vontade de os amar.