quinta-feira, 12 de setembro de 2019



Trabalhos manuais

A estrutura em ferro estava há uns anos no sótão à espera de inspiração e ela chegou numa destas tardes vagarosas de tempo (ou foi o tempo inspirado que a estendeu, mistérios da nossa percepção)
Cortei, colei, cosi...



...tantas quantas as vezes que carregamos nos interruptores são aquelas em que se faz luz e outras tantas que seguimos às escuras....


quinta-feira, 22 de agosto de 2019



De novo a ler Miguel Torga... O que este homem me deixa a sorrir com a inteligência que revela. 



domingo, 14 de julho de 2019



Dei-me conta que publiquei este texto 12 anos e 1 mês antes destes momentos voltarem a fazer parte de um tempo de lazer diário.


terça-feira, 9 de julho de 2019




"O outro partiu, e ele ficou a relembrar a doçura do conselho, a encostar todas as chagas à suavidade daquela ternura" in Novos Contos da Montanha de Miguel Torga

Depois dos Contos da Montanha, enquanto viajo de comboio nesta nova rotina. Colocar a leitura em dia com um autor que me tira dali para a rudeza das personagens em aldeias remotas, cheias da natureza que as cerca, belas e brutas, despidas perante esta que sou ávida daquelas almas em que às vezes descanso a complexidade dos meus próprios sentimentos


segunda-feira, 17 de junho de 2019




Há um ano começava assim o dia. A partir de Braga de seta amarela em seta amarela a concretizar esse desejo de me pôr a caminho. A confiança nas pernas foi atraiçoada pelas dores e bolhas nos pés. Doíam-me até a alma. Sete dias sempre em dor, tudo latejava mesmo quando parava. Os tempos de descanso não foram inspiradores dessa introspecção romanticamente, antes uma meditação focada em encontrar a posição mais confortável para recuperar para o dia seguinte. Ficar quieta a observar os outros, aprender desta observação, por partilha em alguns momentos convívio e outras partilhar com o olhar ou o sorriso o respeito pelo caminho e bolhas de cada um. 
Vivo numa cidade que faz parte de um caminho e hoje, quase um mês depois de ter outra rotina pela manhã, sendo pouco mais de sete horas da manhã encontrei três peregrinos de Santiago. Deu-me aquele aperto, e com os minutos contados para apanhar o comboio desejei-lhes no silêncio das lagrimas "Bom Caminho". Com ou sem pedras, com ou sem bolhas, por etapas chegar a cada destino e conquistar no destino maior este espaço no peito que pertence a cada um e que nos conecta para sempre a todos. Revermo-nos na importância de Ser(mos).


sábado, 15 de junho de 2019



Sábado de manhã...


Neste regresso a casa a tempo inteiro, regressar a como se sabiam verdadeiramente estes momentos.

Pequeno almoço sentada na sala de estar, sem pensar que depois de amanhã já não é assim. 
Em 1996 faziam bom calçado. As mal amadas all star sem cano, hoje são como o vestidinho preto.


quinta-feira, 13 de junho de 2019






Num repente decidi sair de casa, só depois de estar pronta é que me lembrei de ver as horas, afinal tinha acordado às 7h30 e desde então não tinha voltado a olhar para o relógio. Suspirei de um alívio momentâneo pois alguns dos locais onde pretendia ir já estariam abertos. O sol espreitava pelas janelas e não coloquei em causa a roupa que escolhi para sair. Uns metros depois, deslocando-me a pé rumo ao primeiro destino dei por mim a constatar que se calhar tinha saído “à fresca” e no instante seguinte resolvi apreciar a brisa que fazia rodopiar a blusa, qual Marilyn Monroe na mítica foto sobre as grades do metro e foi neste espírito que segui pela cidade a riscar tarefas da minha lista. Porque foi feriado em Lisboa pude passar o dia em casa a desfrutar do movimento da minha pequena cidade. Cumprimentei conhecidos, que me acenaram de forma energética e feliz. Entre tarefas sentei-me num café com cheiro a pão fresco a beber um galão e a comer um bolo como se não tivesse já tomado o pequeno-almoço. Saborear sobretudo aquele momento e reviver da vidraça o passeio onde anos a fio passei rumando a uma escola e outra. Antes de me devolver a casa, resolvi de senhorita entrar numa loja só para distrair a vista e eis que a funcionária resolveu perguntar pela minha mãe. Há muito que não a via mas não se sentia à vontade para perguntar. Não só respondi, como me expus, e nos expusemos das experiencias equivalentes. A funcionária sabia o meu nome porque a minha mãe dizia com frequência “tenho de trazer cá a minha Ana”. Agora sou eu que respiro melhor neste regresso a casa, talvez por isso mesmo porque a levo sempre mais presente na memória do quanto andávamos juntas e gostávamos de circular nesta cidade, como a brisa leve e fresca que hoje me acompanhou.


domingo, 9 de junho de 2019



Aprende que tudo o que te toca faz parte de ti, mesmo o que consideras repulsivo.
Desafio-te a amar todos os aspectos do teu Ser,  isso faz com que estejas num processo contínuo de renascimento. Deixa que a tua história aconteça e faz questão de estar presente. Como o fazes? Rindo, limpando as tuas lágrimas, expressando alegria, tristeza, mas sobretudo o grande sentido de gratidão de valorizar o Caminho!!.
Nooderv kaur

sexta-feira, 10 de maio de 2019



Não me vou deitar sem antes me lembrar que passou um ano sobre um fim de tarde em que me desorientei numa corrida no campo. Perdi-me muito onde era suposto sentir-me bem. Regressei com uma calma que me veio dos nervos de perceber que se assim não fosse não sairia dali às voltas. Orientei-me pelo sol e  depois pelo som que me trazia o vento. Mais do que voltar a entrar em casa, entrei noutra dimensão da minha vida. E desde então o coração nunca mais foi o mesmo. Bateu mais, chorou outro tanto. Algures cá dentro, no meu porto seguro, ou que às vezes me segura, celebro o tanto que também sorri neste meu lugar.


terça-feira, 7 de maio de 2019

sábado, 4 de maio de 2019



Sábado de manhã


Hoje, à hora em que faziam 8 anos sobre o telefonema que me atirou para a sensação desconhecida do "já não haver nada a fazer", cruzei-me com a D. Adélia, minha vizinha. . 
Às 8h50 ia arrancar mais duas linhas das suas batatas. Há três dias ao final da tarde mostrava-me como fazia para as arrancar sem estragar, "hoje já lhe ensinei como se arrancam as batatas e expliquei como semeei" dizia-me. Não se vê bem mas atrás dela está a moleta arrumada, substituída pela enxada e pela energia dos seus lucidos 85 anos. Hoje, como naquela outra conversa, em que me vieram as lágrimas, desejou-me uma vida feliz como a dela, retirando apenas a unica coisa triste que lhe aconteceu, repetiu olhando-me nos olhos... Tem pena que me vá embora mas confia que vou para estar melhor. 
Tenho de fazer conta aos anos que me marcam e espantar-me deste numero. Continuo a ter horas em que me esqueço e sinto o impulso de contar qualquer coisa à minha mãe. E têm sido tantos, cada vez que a ansiedade dispara neste ciclo que se encerra e outro, menos incerto, se inicia.
Hoje, a D. Adélia foi luz sobre o dia das memórias difíceis, foi a força que me susteve deste silêncio, foi o sentimento incondicional de nos queremos bem. Foi a voz da força do amor incondicional da minha mãe.

Grata


quarta-feira, 1 de maio de 2019




Imagine every where was free to roam
Imagine if the trees could tell us where to go
Imagine that the sun could fill each lonely heart
Imagine confrontation never got a start
Imagine things will were always crystal clear
Imagine if the mind never interfered
Imagine we could fly with broken wings
Imagine if the heart could shed its skin

Please patience please patience please Im creating a dream

Please patience please patience please Im creating a dream...

"Creating a Dream" de Xavier Rudd


quinta-feira, 28 de março de 2019



Ainda não tinha saído carro acabado de estacionar e já estava a avistar este amarelo sol à entrada de casa. Um vaso oferecido pela minha senhoria da casa-de-semana, que ela "já viu que gosto de plantas" .
E gosto. Bem hajam na minha vida por me equilibrarem com o seu verde. Adormeci e acordei uma infância, uma adolescência e uma adulta a observar as suas silhuetas. Há uma espada de S. Jorge da minha idade que me recebia todos os dias à entrada de casa. Tem uma espada maior que eu e três filhos na minha-casa. Por vezes observo-a e descanso o olhar numa companheira silenciosa de jornada.


feels like what it is, a gift... 



terça-feira, 19 de março de 2019






1.Cara de pai que vai deixar a filha à estação de comboios para depois ela seguir de Braga a pé para Santiago de Compostela (sozinha) 
2. Pai 8 dias depois ao ir buscar a filha à estação dos autocarros de Braga em noite de São João! ("dá cá o martelo para eu te mostrar como se faz!" )



quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

sábado, 2 de fevereiro de 2019




Cantei-lhe os parabéns, com velas e foguetes. Embora de coração apertado, deixa-se mimar. Bate as palmas e termina o refrão comigo. Recordo-a de morder as velas e pedir os desejos. 87 anos de Maria da Luz...
Parabéns à vó Maria!!


domingo, 27 de janeiro de 2019



Sábado de manhã 
Há quase um mês sem correr, hoje o sol chamou mais alto que a vontade.


quarta-feira, 16 de janeiro de 2019








De 27/12/2018 a 14/01/2019
A riscar das resoluções de ano novo que não fiz...



domingo, 30 de dezembro de 2018




Há quanto tempo não vivia assim para os livros ou para a leitura. Rendida ou resgatada pelas palavras que contam histórias do que me vai dentro, de dentro para fora e vice versa. Horas mergulhada nesse vai e vem que se espelha nas entrelinhas. Deleitar-me com as personagens ou com o autor. Subtilezas que me navegam nas horas como se fosse uma bússola entregue ao prazer de andar à deriva...


segunda-feira, 12 de novembro de 2018



Dei-me conta que mais de trinta e muitos anos depois, a custo, já misturo os lápis da sequencia de cores do arco-íris mas ainda continuo a tirar um de cada vez de dentro da caixa.


domingo, 11 de novembro de 2018



Combinamos partir juntas e depois cada uma seguir para o seu objectivo. Eu, 10km de treino carrocel (sobe e desce). Ela, primeiro treino longo e sem desnível para a maratona. Chovia quando desistimos de esperar que abrandasse, continuou a chover quando achei que não fazia sentido separar-nos. Ainda chovia quando vi que afinal aguentava mais um bocadinho e daí a um bocado talvez aguentasse tudo. Terminámos o treino e  a chuva ainda não tinha parado de cair. Amizade para que te quero. Porque às o verdadeiro carrocel corre cá dentro e há amizades abençoadas por treinos molhados!! 



sábado, 20 de outubro de 2018

quinta-feira, 18 de outubro de 2018



Às vezes dou por mim a trautear uma mesma música (since 2012)


life is good by the ones you love
when the ones you love behave
cause when they don't it makes you mad
but you breathe in deep and brave it

the vilest thing about family
it's that they own your heart for life
they can make it hurt and make it bleed
and they don't even have to try

try and enjoy the scenery
and the lovely, tangy wine
get your hopes down from where they're hung
and be sure to hold the line



quinta-feira, 20 de setembro de 2018




Sentir como uma perda irreparável o acabar de cada dia. Provavelmente, é isto a velhice.
Cadernos de Lanzarote (1994)

Não Saramago, não concordo. Talvez tenhas tido a sorte de viver a maior parte dos dias sem te aperceber dessa perda irreparável, talvez por estares demasiado ocupado ou por boa gestão da tua criatividade. Há muito que me aflige o dia não ter mais horas para tudo o que quero. Não que esteja sempre a fazer coisas, e agora cresce em mim essa aflição na mesma medida em que vou apreciando mais o descanso. Esta entrega ao dolce fare niente não sei se é da velhice mas prefiro acreditar que é da tranquilidade que tenho conquistado a passo lento. Passos dados por entre batimentos acelerados e overdose de hipóteses. Agora amigo, feita de menos, sinto irreparável todos os dias que não dão para mais.


sábado, 15 de setembro de 2018





"Saturday night run fever"
(Se aos 15km estivermos bem, fazemos 17km!!)
E assim foi, com reforço de confiança para as duas.  Uma amiga motivada faz muito para ajudar a contrariar a inércia dos últimos tempos. 17km como quem vai ali beber um café e ainda a tagarelar todo o caminho... Aaah tinha saudades disto!!


sexta-feira, 14 de setembro de 2018





Há umas que me escolhem para um abraço. Não foi o caso desta, mas quando escolhem sabe tao bem. Faço muitos trilhos sem sentir esta atração mas sei de duas árvores distantes que me valeram lágrimas. Entender destes abraços, os outros. Que há muito para além da reciprocidade física, há uma energia que não se explica, e uma vez sentida nem é relevante explicar mas antes experiência-la. Mas é tentador explicar o descanso imediato de um bom abraço, talvez advenha de um peso que se evanescence e pelo caminho de transforma em algo bom que se liberta para o universo.



quarta-feira, 12 de setembro de 2018



Algumas pedras do caminho... 




Quando a meio de um dia de trabalho, uma amiga envia um vídeo, não para fazer inveja, mas para partilhar da calma e paz da sua tarde e é isso mesmo que fica...
(vou ali continuar a ver em loop)



Obrigada S. 

segunda-feira, 10 de setembro de 2018






Dos muitos peregrinos de Santiago que vi esta semana no pouco tempo que andei pela minha cidade, desejei "bom caminho" à segunda rapariga. 5 segundos depois fiquei com os olhos cheios de água, 15 minutos depois chorava em casa com saudades de tudo. Chorei o peso da mochila. Chorei as dores que suportei. Chorei as madrugadas em que cada um se fazia ao caminho. Chorei os banhos que me sabiam tão bem enquanto os pés faziam mais um sacrifício. Chorei desencontros. Chorei a incredulidade com a minha limitação física.
Chorei o sonho da alma. Chorei o pesadelo nos pés. 
Chorei o milagre de ter chegado. 
Chorei o que em mim cedeu, 
Chorei o que em mim se deu.


Chorei e agradeci


segunda-feira, 3 de setembro de 2018

segunda-feira, 27 de agosto de 2018



ar-ra-nhão
s. m., ferida na pele provocada por tojais e ursais dispersos pela serra...


sábado, 25 de agosto de 2018



Serra!
e qualquer coisa dentro de mim se acalma...
Qualquer coisa profunda e dolorida,
Traída,
Feita de terra
e alma.

Uma paz de falcão na sua altura
A medir as fronteiras:
_ Sob a garra dos pés a fraga dura,
E o bicho a picar estrelas verdadeiras...

de Miguel Torga


terça-feira, 21 de agosto de 2018



Tatuagem.




Não havia telemóveis e independentemente do telefone vermelho da rodinha lá em casa desde cedo foi implementado o sistema do recado no pedaço de papel antes de sair de casa. Ninguém saía de casa sem deixar escrito para onde ia, isto na impossibilidade de o dizer verbalmente. Reza a lenda que aquela tirinha de papel terá sido a minha primeira "sms" (provavelmente escrita assistida sem corrector ortográfico)

"oh pai eu estou no trabalho da mãe"
O sistema operativo do pai guardou isto uns 34 anos agora exibe-o afixado no escritório.



sábado, 18 de agosto de 2018




in the mood of secret florest


Sábado de manhã...
dei por mim a pensar na sorte que tenho em não ter vizinhos no andar de baixo e que portanto não amaldiçoam a forma como ando a chinelar pela casa fora. os chinelos alargaram e isso faz com que o meu chinelar seja um bocado arrastado, irritante mas eu não me oiço a maior parte do tempo.


domingo, 12 de agosto de 2018



Bora encher os pneus e dar uma voltinha à cidade! (com o pai!). Estava mesmo a apetecer voltar à bicicleta.